Santuário Eucarístico de Balasar: uma igreja onde a arquitetura conta a história da Beata Alexandrina

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O novo Santuário Eucarístico de Balasar apresenta a forma de uma tenda, tem uma cobertura que evoca o manto de Nossa Senhora, um altar atravessado por uma coroa de espinhos e vitrais que contam uma história de sofrimento e esperança. A arquitetura, os materiais e a luz foram pensados para dar a conhecer a espiritualidade da Beata Alexandrina Maria da Costa.

O novo Santuário Eucarístico de Balasar foi pensado para responder ao crescimento das peregrinações ligadas à Beata Alexandrina Maria da Costa, que todos os anos movimentam milhares de peregrinos.

Proporcionando melhores condições de acolhimento, de oração e de celebração,  o novo santuário tem capacidade para cerca de 1800 pessoas sentadas e resulta de um projeto em que arquitetura, arte e espiritualidade foram pensadas em conjunto, procurando transmitir uma dimensão da experiência religiosa da Beata  Alexandrina da Costa.

O projeto nasceu no atelier do Centro Ave Arte, em Loppiano, Florença e resultou do trabalho de arquitetos, artistas e artesãos de diferentes nacionalidades.

Mais do que construir uma igreja de grandes dimensões, procurou-se criar um espaço que ajudasse os peregrinos a conhecer a vida da Beata Alexandrina e a encontrar um ambiente de silêncio, oração e reflexão.

Sinal da presença de Deus junto do seu povo

A forma do Santuário é uma das principais referências simbólicas do projeto. Observado do exterior, o edifício evoca uma grande tenda, recordando a Tenda do Encontro da tradição bíblica, sinal da presença de Deus junto do seu povo durante a caminhada pelo deserto.

A cobertura do edifício remete para a imagem de um manto, numa referência a Nossa Senhora, a quem Alexandrina, carinhosamente, chamava de “Mãezinha”.

A Cruz é outro elemento fundamental em todo o espaço. A planta arquitetónica desenvolve-se a partir deste símbolo e a cobertura eleva-se até culminar numa grande cruz, situada sobre o centro do edifício, no exterior.

A Eucaristia no coração do Santuário

A Capela do Sacrário e da Adoração Eucarística ocupa o centro do conjunto arquitetónico e foi pensada para a adoração eucarística permanente, uma das dimensões mais significativas da vida espiritual da Beata Alexandrina.

O Sacrário, em bronze, apresenta a forma de um globo e está colocado sobre uma base de pedra que combina superfícies polidas com outras marcadas pela ação da natureza.

A sua localização permite que seja visto a partir de diferentes espaços do edifício, nomeadamente da grande nave, da capela tumular e da Capela do Espírito Santo.

A centralidade deste elemento não é apenas arquitetónica, recorda o desejo de Alexandrina de se aproximar espiritualmente dos sacrários de todo o mundo, fazendo da adoração eucarística uma das expressões mais profundas da sua relação com Deus.

O altar: entre a Eucaristia e a Cruz

Na grande nave, preparada para acolher as principais celebrações, o altar ocupa um lugar central.

Construído em pedra, apresenta superfícies polidas que são visualmente atravessadas por uma coroa de espinhos em bronze, estabelecendo uma ligação entre a Eucaristia e a Paixão de Cristo – duas dimensões inseparáveis da experiência espiritual da Beata Alexandrina. Conta, ainda com um espaço destinado às relíquias da Beata Alexandrina, de santos e beatos ligados à Arquidiocese de Braga e de outros santos da Igreja universal.

A luz enquanto elemento essencial

A luz assume um papel essencial na experiência do novo Santuário, graças à existência de dois grandes vitrais que foram pensados para transformar a atmosfera interior. Mais do que elementos decorativos, os vitrais procuram contar visualmente episódios e dimensões da espiritualidade da vida da Beata Alexandrina.

Um dos conjuntos apresenta o caminho da Paixão à Ressurreição, estabelecendo uma ligação entre o sofrimento e a esperança cristã. O outro é dedicado à relação de Alexandrina com Nossa Senhora, tão presente nos seus escritos e na sua experiência espiritual.

Destaque também para a escultura do Ressuscitado, concebida em madeira de pinheiro-cembro por Federica Cavallin e Peter Kostner, que representa Cristo num movimento ascendente, que se tenta libertar do madeiro da Cruz.

O sudário transforma-se visualmente numa veste de luz, evocando a passagem da morte à vida.

O conjunto da escultura, dos vitrais e da própria iluminação natural, convida os visitantes a percorrer, simbolicamente, um caminho entre a fragilidade humana e a esperança.

Capela tumular: espaço significativo

A capela tumular constitui é, sem dúvida, um dos espaços mais significativos do novo Santuário. Será nesse local que serão depositados os restos mortais da Beata Alexandrina, trasladados da igreja paroquial de Balasar no dia 10 de outubro.

A sepultura, situada lateralmente e concebida de forma simples, procura refletir a humildade que marcou a sua vida e, de acordo com a vontade da própria, ficará orientada para o Sacrário, num gesto que recorda a centralidade da Eucaristia na sua espiritualidade.

Na decoração da capela encontram-se referências à Cruz, à coroa de espinhos e a Nossa Senhora. A presença de rosas e flores-da-paixão evoca também o jardim, uma imagem recorrente nos escritos da Beata.

Outros espaços disponíveis

O novo Santuário dispõe ainda de um auditório e salas destinadas a encontros, retiros, conferências e momentos de formação, procurando responder às diferentes necessidades dos peregrinos.

No exterior, o jardim evoca a linguagem simbólica do Santuário. Na espiritualidade de Alexandrina, as flores e o jardim surgem frequentemente como imagens da relação com Deus. A água, por sua vez, remete para a purificação, a graça e a renovação espiritual.

A estátua da Beata Alexandrina, da autoria de Charles Marie des Courtils, estabelece uma ligação entre a sua história pessoal e a missão do novo Santuário. A figura assenta sobre uma base de granito concebida para evocar o leito onde passou grande parte da sua existência. Aquilo que foi lugar de sofrimento e imobilidade transforma-se, através da linguagem artística, numa imagem de esperança e de uma vida oferecida aos outros.

O novo Santuário Eucarístico de Balasar nasce de uma história que começou na simplicidade da vida de uma mulher que passou grande parte dos seus anos confinada a um quarto.

Hoje, essa história inspira um espaço preparado para acolher milhares de peregrinos, vindos de Portugal e de diferentes países. A arquitetura, a luz, a pedra, o bronze e as obras de arte procuram ajudar cada visitante a compreender o testemunho de Alexandrina e a descobrir o significado da Eucaristia, da Cruz e da esperança cristã.