No próximo dia 11 de outubro, o novo Santuário Eucarístico de Balasar será dedicado solenemente a Deus, numa celebração presidida pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa Coso. Mas o que significa dedicar uma igreja e um altar? E porque é este um momento tão importante para a comunidade cristã?
Uma igreja é muito mais do que um edifício. É um lugar de encontro, de oração e de celebração da fé. É o local onde a comunidade se reúne para escutar a Palavra de Deus, para celebrar a Eucaristia, para partilhar alegrias e dificuldades e para encontrar força para a vida quotidiana.
A dedicação de uma igreja é uma das celebrações mais significativas da tradição católica. Através de um rito solene, o edifício é destinado de forma permanente ao culto divino, tornando-se um espaço especialmente consagrado à oração e à celebração dos sacramentos.
Mais do que assinalar a conclusão de uma construção, esta celebração recorda que a verdadeira Igreja é formada pelas pessoas que nela se reúnem e que aí procuram viver a sua fé.
A dedicação da Igreja: gestos e símbolos
A dedicação da igreja e do altar é marcada por vários gestos e símbolos que exprimem o significado espiritual da celebração.
Um dos primeiros momentos é a Ladainha dos Santos, uma oração solene em que a comunidade pede a intercessão de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos.
Segue-se a colocação das relíquias sob o altar, uma tradição que remonta aos primeiros séculos do cristianismo e que recorda a união entre o sacrifício de Cristo, celebrado na Eucaristia, e o testemunho dos santos. No novo Santuário Eucarístico de Balasar, o altar construído em pedra acolhe relíquias da Beata Alexandrina Maria da Costa, de santos e beatos ligados à Arquidiocese de Braga e de outros santos da Igreja universal, num espaço concebido como um “sepulcro escavado na pedra”.
A Oração de Dedicação constitui um dos momentos centrais da celebração. Através dela, o celebrante confia solenemente a igreja e o altar a Deus, destinando-os permanentemente à oração e à celebração dos sacramentos.
Depois, o altar é ungido com o óleo do Santo Crisma, num gesto que recorda Cristo, o Ungido de Deus. Também as paredes da igreja são ungidas em pontos assinalados por cruzes, simbolizando a dedicação de todo o edifício a Deus. Em Balasar, esta unção será realizada em quatro cruzes distribuídas pelas paredes do Santuário.
Segue-se a incensação do altar, das paredes e da assembleia. O fumo perfumado do incenso que se eleva simboliza a oração que sobe até Deus, reunindo as alegrias, as dificuldades e as esperanças de todos os que ali se encontram.
Por fim, o altar é revestido e preparado para a celebração da Eucaristia, seguindo-se a iluminação festiva da igreja. O acender das velas e das luzes recorda Cristo Ressuscitado, luz do mundo, e a missão da comunidade cristã de levar essa luz à vida quotidiana, através da esperança, do testemunho e do serviço aos outros.
Mais do que um conjunto de ritos, estes gestos recordam que a dedicação de uma igreja não se limita à consagração de um edifício, mas aponta para a missão da comunidade que nele se reúne: ser um lugar de encontro com Deus, de acolhimento e de atenção aos outros.
Balasar: um santuário inspirado na vida da Beata Alexandrina
A dedicação do novo Santuário Eucarístico de Balasar ganha um significado particular pela profunda ligação à vida e à espiritualidade da Beata Alexandrina Maria da Costa.
Todo o projeto arquitetónico e artístico foi concebido a partir de três elementos fundamentais da sua experiência espiritual: a Eucaristia, a Cruz e Nossa Senhora.
A Eucaristia ocupa o centro do Santuário, tal como ocupou um lugar essencial na vida de Alexandrina. A Capela da Adoração Eucarística, situada no coração do edifício, recorda o seu profundo amor a Jesus presente no Santíssimo Sacramento.
Também o altar principal traduz esta espiritualidade. Construído em pedra, apresenta uma coroa de espinhos em bronze que atravessa visualmente a sua superfície, estabelecendo uma ligação entre a Eucaristia e a Paixão de Cristo.
Uma casa aberta a todos
A dedicação do novo Santuário, no dia 11 de outubro de 2026, acontece um dia depois da trasladação dos restos mortais da Beata Alexandrina, da igreja paroquial de Balasar para a capela tumular do novo espaço.
Estes dois acontecimentos assinalam uma nova etapa na história de Balasar, lugar de peregrinação que acolhe, todos os anos, milhares de pessoas vindas de Portugal e de outros países.
Mas o significado desta nova etapa vai além das paredes do Santuário.
Como sublinhou o Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, o desejo é que quem chega a Balasar encontre “não apenas um espaço belo”, mas também “uma comunidade com capacidade de escutar, acompanhar e cuidar”.
Por sua vez, Monsenhor Manuel Casado, Reitor do Santuário, refere que que o objetivo não é apenas construir um edifício, mas “construir uma Igreja viva”.
É este, afinal, o sentido mais profundo da dedicação de uma igreja: consagrar um espaço a Deus para que nele as pessoas possam encontrar acolhimento, esperança e um caminho de renovação interior.

