Por Sérgio Carvalho
O primeiro dia do VI Congresso Mundial dos Salesianos Cooperadores, que decorre em Roma de 7 a 10 de maio, ficou marcado pela reflexão sobre os 150 anos da Associação fundada por São João Bosco em 1876. O encontro reúne cerca de 400 congressistas provenientes das diversas regiões e províncias do mundo salesiano.
A jornada começou logo pela manhã com um gesto simbólico de abertura, seguido da celebração da Eucaristia presidida pelo Reitor-Mor dos Salesianos, Padre Fabio Attard, 11.º sucessor de São João Bosco. Na homilia, o Reitor-Mor destacou o simbolismo do fermento, imagem central do congresso e inspiração do lema “Ser fermento para dar fruto”, sublinhando o chamamento dos Salesianos Cooperadores a serem presença discreta mas transformadora no meio do mundo.
Após a cerimónia oficial de abertura e as saudações institucionais, o próprio Padre Fabio Attard orientou a conferência principal do dia, subordinada ao tema “150 anos construindo um mundo melhor”. A intervenção procurou mostrar como o carisma salesiano continua atual perante os desafios da Igreja e da sociedade contemporânea.
Ao longo da conferência, foi sublinhado que os Salesianos Cooperadores não são apenas uma realidade histórica ligada ao passado da Família Salesiana, mas uma vocação laical viva, chamada a transformar o mundo à luz do Evangelho. O Reitor-Mor retomou várias vezes a imagem do cooperador salesiano como “fermento” no meio da sociedade, especialmente nas famílias, na educação, na cultura, no trabalho e nas periferias juvenis.
Um dos temas fortes deste primeiro dia foi a fidelidade dinâmica ao carisma de Dom Bosco. Os congressistas foram convidados a compreender que celebrar 150 anos não significa viver da nostalgia do passado, mas atualizar o sonho de Dom Bosco para os jovens do século XXI. Apesar das profundas mudanças sociais — secularização, individualismo, fragilidade familiar, cultura digital e novas pobrezas educativas —, a missão salesiana permanece atual: educar, acompanhar e evangelizar.
Durante a tarde decorreu ainda a apresentação do caminho percorrido rumo ao jubileu dos 150 anos e a mesa-redonda “Nas pegadas de Dom Bosco”, com intervenções de Noemí Bertola, Paolo Santoni, Roberto Lorenzini, Laura Gambassi e Angie Carolina Quintero. O debate destacou o papel dos Salesianos Cooperadores como presença ativa na Igreja e na sociedade, vivendo o espírito de Dom Bosco no quotidiano.
O programa prosseguiu com os trabalhos em grupos por idiomas, promovendo a partilha de experiências entre congressistas de diferentes países e culturas, num ambiente marcado pela fraternidade e espírito de família salesiana.
Entre os desafios apontados para o futuro destacaram-se:
- a renovação geracional;
- o maior envolvimento dos jovens adultos;
- a presença evangelizadora no mundo digital;
- o reforço da missão nas periferias;
- e o testemunho cristão coerente em sociedades secularizadas.
O primeiro dia terminou com o tradicional momento salesiano da “Boa Noite”, protagonizado pelo Salesiano Cooperador com mais anos de promessa, encerrando a jornada num ambiente de memória, gratidão e esperança.
O lema do congresso, “Ser fermento para dar fruto”, apareceu como síntese destes 150 anos de história: pequenos sinais de Evangelho capazes de transformar a realidade quotidiana.






