Qual o lugar da Família Salesiana na Igreja? | FMA

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Será que alguém pode, em verdade, dizer: “Na nossa Paróquia não precisamos do grupo dos Salesianos Cooperadores ou dos Associados de Maria Auxiliadora, porque já há cá muitos grupos”? Ou ainda: “Na nossa obra não fazem falta esses grupos, nem sequer o grupo dos/as Ex.Alunos/as”?

Estas perguntas têm fundamento. Eu já vi situações destas. Eu já constatei realidades onde se vive isto, mesmo que não haja coragem de o verbalizar.

Entretanto, temos que reconhecer que houve um tempo em que ser membro da Família Salesiana era motivo de tal “santo orgulho” que quase superava em dignidade o facto de ser-se batizado. Felizmente esta mentalidade está a passar, pois o Concilio Ecuménico Vaticano II veio colocar cada grupo no seu lugar.

Agora, porém, já encontrei pessoas que passaram ao extremo oposto: “Acham que é de bom tom promovermos o ‘bom cristão’, mas não há que manifestar o nosso apreço publicamente pela vida dos nossos santos, porque isso – dizem – são ‘coisas nossas’!

Então?! S. Francisco de Sales é um Bispo com grande impacto na Igreja e os seus imitadores, salesianos e salesianas, já não interessa falar deles?! São, porventura, menos Igreja?

Qualquer santo é um sinal da ação do Espírito de Deus, seja ele santo diocesano ou santo de uma congregação religiosa.

Reparemos no que diz o Art.º 1 da Carta de Identidade Carismática da Família Salesiana sobre a Experiência carismática e espiritual do Fundador:

«Com humilde e alegre gratidão reconhecemos que Dom Bosco, por iniciativa de Deus e pela materna mediação de Maria, deu início na Igreja a uma original experiência de vida evangélica. O Espírito plasmou nele um coração habitado por um grande amor a Deus e aos irmãos, em especial aos pequenos e aos pobres, e assim o tornou Pai e Mestre de uma multidão de jovens, bem como Fundador de uma vasta Família espiritual e apostólica. A caridade pastoral, que no Bom Pastor encontra a sua fonte e o seu modelo, foi para D. Bosco constante inspiração na obra de educador e evangelizador, orientando-lhe a vida, a oração e o impulso missionário. Com a escolha do mote «Da mihi animas cetera tolle» quis exprimir a sua paixão por Deus e pelos jovens, disposto a qualquer sacrifício desde que realizasse a missão entrevista no sonho dos nove anos. Para responder às expetativas da juventude e das camadas populares do seu tempo, fundou em 1841 o Oratório concebido como uma grande família juvenil e instituiu a Pia Sociedade de S. Francisco de Sales, como parte viva da Igreja que reconhece no Sumo Pontífice o seu centro de unidade.»

Refere, em seguida, como surgiram as Filhas de Maria Auxiliadora – entregues a uma obra educativa conduzida com o mesmo espírito que Dom Bosco – e os salesianos cooperadores – empenhados em realizar nas suas famílias, nas suas comunidades cristãs de pertença e na sociedade, o comum apostolado juvenil, popular e missionário, animados pelo mesmo espírito de Valdocco – assinalando que a ‘força apostólica da Família inteira depende da unidade de propósitos, de espírito, de método e de estilo educativo’. Por fim identifica a origem da Associação de Maria Auxiliadora que tem como finalidade ‘promover o culto ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Maria Auxílio dos Cristãos’.

Que maior sentido eclesial pode haver numa Associação do que ter como central Jesus Eucaristia e Maria, e ainda para mais, Auxílio de todos os cristãos?!

É tempo de fazer conhecer os grupos da Família Salesiana, não com “santos orgulhos” mas por um dever para com o Espírito Santo que entregou em nossas mãos dons a serem distribuídos por todos os que são chamados a viver deste modo a sua vida cristã!

A pergunta que coloquei não está ainda totalmente respondida. Continua no próximo mês.


Ir. Mª Fernanda Afonso – Delegada nacional da FS